"Aliás, como diz um amigo meu, todo ex namorado no fundo é um Gerry Kennedy, porque tem que aprender a liberar o outro, tem que no fundo aprender a lidar com a separação. A ideia parece ser bem intencionada. Embora não seja tão fácil. Melhor. Nesse momento me parece absurda. Mas se é assim que tem que ser..."
Estou de volta, e como prometido, pra contar uma das minhas muitas estórias, mas eu acho que é a melhor de todas, e a mais dolorida também.
Mas, antes, preciso falar sobre essa frase que inicia o post... Achei por um acaso, desses que a gente nunca imagina, um blog tbm, muito bom e curioso, com uma linda postagem de 2008 (AFF, acho que to atrasada no assunto blog) de uma carta de amor. Coloco aqui o link pra vocês lerem. http://acordeieagora.blogspot.com/2010/07/ps-eu-te-amo-ou-da-necessidade-da.html É um comentário sobre o filme P.S. Eu te amo. Para os apaixonados ou dramáticos de plantão, assistam, é P-E-R-F-E-I-T-O. Para quem não é nem uma coisa, nem outra, também vale à pena apenas por ser o filme que é.
Holly e Gerry são apaixonados e casados à dez anos quando derepente ele morre, mas deixa ainda marcas de suas vidas juntos e um caminho pra dar força a Holly para conseguir seguir e continuar caminhando.
Isso é um resumo muito resumido do filme, mas vale à pena.
A minha estória começou ha 6 anos atras, quando eu saia pra uma festa com um ex namorado e queria simplesmente irrta-lo de todas as formas possíveis, coloquei uma sainha curta, uma blusa minuscula e um salto gigante, cabela todo enroladinho, faixa e make arrasa quarteirão. E, por incrível que pareça, estava com o corpinho em cima. Ele estava do outro lado da rua quando me viu. Eu não o vi naquele dia, mas pelo que me consta, ele não me esqueceu.
Naquela mesma semana eu fui vistar minha vizinha e ele estava lá. Acabamos não conversando, tinha muita gente. Fui pra casa.
No dia seguinte eu estava novamente na casa da minha amiga quando comecei a me sentir mal, com febre, dor no corpo. Ele chegou e eu me despedi. Fui até o hospital. Garganta. Precisava dos remédios. Descobri, falando com minha amiga, que ele trabalhava em farmácia.
Preciso abrir um parentesis aqui e esclarecer que nunca esperei homem nenhum dar em cima de mim. Mesmo com medo do não, quando me dava na telha, eu ia mesmo à luta e corria atras do que me interessava. Sempre adorei o jogo do amor.
Voltando, falei com ele ao telefone e questionei se ele poderia me trazer os remedios. Ele disse que só no dia seguinte, mas eu estava tão ruim que, enquanto eu tomava banho, meu pai foi até a farmácia comprar.
Como ele estava na casa da minha amiga a hora que falei com ele, resolvi ligar lá e avisá-lo, já que ele iria trazer. Minha amiga me passou o cel dele e me desejou boa-sorte.
Quando eu liguei ele estava abrindo o portão. Eu avisei que meu pai já havia ido à farmácia comprar meus remédios e agradeci, dizendo que ele não precisaria trazê-los.
Me dei conta, naquele instante, que queria muito vê-lo de novo, e tinha que ser logo. Resolvi fazer um pedido bem simples, mas temendo que ele me desse uma desculpa qualquer.
Pronto, falei: "Você poderia vir cuidar de mim, né?"
E, naqueles segundos que sempre parecem uma eternidade, ele de repente quebrou o silêncio e disse: "Estou trancando o portão. Logo estarei aí."
Meu coração pulava numa alegria que podia contagiar um continente inteiro. Eu não sabia há quanto tempo ele estava da minha casa, e eu estava de pijama. Quando pensei em me trocar, a campainha tocou.
Decidi, fui abrir mesmo de pijama. Ele entrou, com cara de quem não entendia o que estava acontecendo e eu o convidei a sentar-se comigo no sofá.
Conversa vai, conversa vem, nos beijamos, e de repente, meu PAI apareceu. Que constrangedor!
Desse começa, quatro meses depois terminamos. Ele era o amor da minha vida e o fim sem explicação me deixou apavorada, magoada, triste, sem esperança. Acabei indo embora. Não queria vê-lo, ouvi-lo, nada. Queria encontrar uma maneira de odia-lo pra sempre, e tentar enterrar aquele sofrimento pra nunca mais pensar nele.
Impossível! Como deixar de amar o homem da nossa vida?
Voltei pra São Paulo, pra casa dos meus pais, pro mesmo lugar aonde o conheci. Não aguentei muito tempo e tentei ir embora novamente. Fiz de tudo, conheci pessoas, tentei me entregar a outros relacionamentos, mas ele reapareceu na minha vida. E eu, que ainda não tinha descoberto a fórmula mágica pra esquece-lo, acabei reacendendo o amor dentro de mim.
E, de novo, um mês depois, sofri, chorei, me entreguei ao sofrimento da perda, da mágoa e da indignação. Porque ele tinha feito isso de novo?
Naquele momento coloquei na minha cabeça que eu não iria mais sequer falar com ele, e nem com niguém do círculo de relacionamento dele. Foi muito difícil. Perdi amigos e claro, sofri horrores novamente.
Quando eu achei que havia encontrado outro alguém pra vida toda, ele resolveu reaparecer e me procurar novamente, dizendo que precisava conversar comigo e esclarecer algumas coisas. Ainda resisti por um ou dois meses, mas um dia acabei cedendo e liguei pra ele. Fui encontra-lo, conversamos e, calro, não resisti aos seus encantos, e acabei por acreditar em tudo o que ele me dizia.
Voltamos, voltei a morar com ele, e para contragosto de todos, entreguei novamente meu coração, minha alma e meu corpo àquele que julgava ser o único amor eterno na minha vida.
Passado exato um ano que havíamos voltado, ganhei o maior melhor e mais eterno presente da miha vida. Descobri que estava grávida. GRÁVIDA! G-R-Á-V-I-D-A!!! Grávida do meu tão desejado, sonhado, pedido, esperado e amado filho. Meu filho, meu menino, uma vida crescendo dentro de mim. E ele era o pai. O pai perfeito, o marido perfeito, o melhor amigo, companheiro. Tomava chuva e banho ao lado dele. Ria e chorava no ombro do meu companheiro de vida.
Passado o tempo, fui descobrindo que apesar de sempre lutar por esse amor, ninguém queria que desse certo. Todos enxergavam o que eu não queria ver.
Ele tinha mulheres na rua, era (É) um galinha e, o pior de tudo pra mim, voltou a beber.
Passamos juntos por muita coisa, mas confesso que há quase 4 meses, mesmo sozinha, mesmo magoada, mesmo machucada pela ausência do "pai perfeito" e pela luta diária tentando ser alguém e ser reconhecida por isso, a distência dele está me tornando uma pessoa melhor.
A minha consideração maior sobre esse que foi o mais longo e mais turbulento relacionamento da minha vida até hoje é que o amor verdadeiro existe dentro de nós, e teremos sorte se conseguirmos encontrar o mesmo amor no outro, mas se por acaso essa sorte não acontecer, não se desespere. Minha avó já dizia, "antes só do que mal acompanhada!"
Espero que gostem. E já tenho uma estória linda pro póximo post. Provavelmente amanhã!
Beijos, e que o amor toque o coraçao de cada, mas sem que seja necessário o outro. Que o outro seja um complemento e não uma necessidade ou uma obrigação!
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